{"id":21372,"date":"2025-01-23T14:14:35","date_gmt":"2025-01-23T14:14:35","guid":{"rendered":"http:\/\/staging.ibermusicas.org\/?p=21372"},"modified":"2025-01-23T14:14:35","modified_gmt":"2025-01-23T14:14:35","slug":"a-clarinetista-chilena-javiera-hunfan-inicia-seu-trabalho-de-pesquisa-no-brasil-a-vida-e-a-obra-ineditas-de-malaquias","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/staging.ibermusicas.org\/index.php\/a-clarinetista-chilena-javiera-hunfan-inicia-seu-trabalho-de-pesquisa-no-brasil-a-vida-e-a-obra-ineditas-de-malaquias\/","title":{"rendered":"A clarinetista chilena Javiera Hunfan inicia seu trabalho de pesquisa no Brasil \u00abA vida e a obra in\u00e9ditas de Malaqu\u00edas\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>A clarinetista chilena Javiera Hunfan realizar\u00e1 uma pesquisa sobre a obra do clarinetista carioca Manuel Malaqu\u00edas. Esse projeto ter\u00e1 in\u00edcio em fevereiro de 2025, no Rio de Janeiro, juntamente com o pesquisador e flautista Leonardo Miranda. Ap\u00f3s o resgate do conte\u00fado biogr\u00e1fico e musical, ser\u00e1 iniciado o processo de arranjo e cria\u00e7\u00e3o de partituras para a grava\u00e7\u00e3o de um \u00e1lbum com 12 m\u00fasicas, que ser\u00e1 gravado com o Conjunto Regional Paulista Jacarand\u00e1 no Est\u00fadio Mapa. Manuel Malaquias foi um clarinetista do final do s\u00e9culo XIX, em um per\u00edodo hist\u00f3rico muito importante para a m\u00fasica popular brasileira. Ele e outros m\u00fasicos da \u00e9poca foram os arquitetos do nascimento do choro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A m\u00fasica popular urbana brasileira come\u00e7ou a se desenvolver com a presen\u00e7a de instrumentos musicais como o piano, o viol\u00e3o e o bandolim, al\u00e9m de uma variedade de instrumentos de sopro que a coroa portuguesa e a onda de imigrantes europeus trouxeram no s\u00e9culo XIX. Naquela \u00e9poca, a m\u00fasica erudita importada pelos portugueses inclu\u00eda polcas, schottisch, mazurcas e valsas, entre outros estilos. Al\u00e9m disso, houve o tr\u00e1fico maci\u00e7o de escravos africanos, que introduziu uma rica tradi\u00e7\u00e3o r\u00edtmica e percussiva, como o lundu, que, adaptando-se ao novo ambiente, acabou se fundindo com a cultura europeia. No final do s\u00e9culo XIX, o Rio de Janeiro, ent\u00e3o capital do Brasil, estava passando por um per\u00edodo de transforma\u00e7\u00e3o social e cultural impulsionado pela aboli\u00e7\u00e3o da escravatura em 1888, pela chegada de diversas influ\u00eancias culturais e pelo progresso industrial e tecnol\u00f3gico. Essa conflu\u00eancia de fatores deu in\u00edcio a uma nova era, caracterizada pelo surgimento de m\u00fasicos e artistas de v\u00e1rias disciplinas. Assim nasceu um novo g\u00eanero musical, considerado o primeiro g\u00eanero urbano genuinamente brasileiro: o choro, um g\u00eanero instrumental, que \u00e9 um dos mais importantes da hist\u00f3ria musical e cultural brasileira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Naquele per\u00edodo, m\u00fasicos eruditos executavam esses refinados ritmos europeus em sal\u00f5es de dan\u00e7a destinados exclusivamente \u00e0s classes sociais mais altas. Entretanto, sua influ\u00eancia se espalhou para m\u00fasicos populares e ex-escravos, que os fundiram com os ritmos e percuss\u00f5es africanos que lhes eram familiares. Dessa intera\u00e7\u00e3o, surgiu uma nova gera\u00e7\u00e3o de compositores e int\u00e9rpretes que interpretaram essas melodias de forma \u00absentida\u00bb e \u00abemocional\u00bb, dando origem a esse termo que, em espanhol, \u00e9 traduzido como \u00abllanto\u00bb.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esta pesquisa se baseia na vida e na obra in\u00e9dita do compositor, clarinetista e l\u00edder de banda do in\u00edcio do s\u00e9culo XX, Manuel Malaquias, nascido em 1894 no Rio de Janeiro, que, apesar de esquecido ou subestimado, \u00e9 respons\u00e1vel por ter contribu\u00eddo para o desenvolvimento da identidade cultural brasileira com mais de 150 obras enquadradas no g\u00eanero do choro. Gravou, a partir de 1913, centenas de obras para a gravadora Edison, tocando obras de sua autoria e tamb\u00e9m de importantes compositores de sua \u00e9poca, como Albertino Pimentel, Candinho, Irineu de Almeida e Casemiro Rocha, entre outros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sua obra \u00e9 importante, pois se situa em um per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o entre o \u00abeuropeu\u00bb e o \u00abbrasileiro\u00bb. Nas 76 grava\u00e7\u00f5es encontradas, realizadas entre 1904 e 1914 com o \u00abGrupo do Malaquias\u00bb, percebe-se como suas composi\u00e7\u00f5es s\u00e3o genuinamente concebidas como \u00abpolcas\u00bb, \u00abschottish\u00bb, \u00abvalsas\u00bb e at\u00e9 \u00abchoros\u00bb, onde se percebe a naturalidade com que s\u00e3o tocados os instrumentos originalmente considerados \u00abeuropeus\u00bb e as baixarias que s\u00e3o uma caracter\u00edstica essencial da m\u00fasica popular brasileira, n\u00e3o s\u00f3 do choro, mas tamb\u00e9m do samba e de outros g\u00eaneros muito relevantes na atualidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Parte dos objetivos do projeto \u00e9 entender o contexto hist\u00f3rico e cultural de Malaqu\u00edas para interpret\u00e1-lo de forma mais apropriada, gravar um CD e poder compartilhar esse conhecimento e conte\u00fado com a comunidade ibero-americana para promover o interc\u00e2mbio cultural e gerar maior interesse pela m\u00fasica brasileira fora do territ\u00f3rio do Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esse projeto de Javiera Hunfan foi selecionado pelo Iberm\u00fasicas em sua linha de \u00abApoio a artistas e pesquisadores para resid\u00eancias\u00bb, chamada 2024.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A clarinetista chilena Javiera Hunfan realizar\u00e1 uma pesquisa sobre a obra do clarinetista carioca Manuel Malaqu\u00edas. 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